segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

{Resenha} Os 13 Porquês

Os 13 Porquês
Autor: Jay Asher
Editora: Ática
Gênero: Literatura Estrangeira
Páginas: 256

Sinopse:

Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra um misterioso pacote com várias fitas cassetes. Ele ouve as gravações e se dá conta de que foram feitas por uma colega de classe que cometeu suicídio duas semanas antes. Nas fitas, ela explica que 13 motivos a levaram à decisão de se matar. Clay é um deles. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.


Com certeza, uma das resenhas mais difíceis que farei aqui.

Olá amoras! Como vocês estão nessa noite chuvosa? Eu estou muito bem, obrigada. Bem e ansiosa, já que hoje a resenha promete ser a mais complexa de todas. Isso porque esse é um dos livros mais complexos que já li. Não só pelo tema, que por si só já chama a atenção, mas também pela forma e pela sinceridade com que é tratado.

Fiquem comigo que vocês vão entender.

Como puderam ver na resenha, Clay Jensen é um garoto normal, tem alguns amigos e nunca se meteu em confusão alguma. Ele até que tem uma bela reputação, mas não chega a ser aqueles garotos ultra populares. Enfim, um garoto comum. 

Só que um dia ele, ao retornar da escola, ele encontra um pacote com seu nome. E detalhe: sem remetente. Curioso, o garoto abre e descobre aqui sete fitas, todas numeradas. Um e dois, três e quatro, cinco e seis. E assim sucessivamente. Mas na sétima tem apenas um lado numerado, o 13. 
Clay então decide ouvi-las para descobrir do que se trata. Que grande surpresa é para ele quando escuta a voz de Hannah.

Hannah Baker, a garota que se matou semanas atrás. Hannah Baker, seu primeiro amor. Hannah Baker, quem ele beijou na festa e agora lhe dizia que ele era um dos motivos dela ter se matado.

E é aqui que eu falo dessa incrível forma de narrativa. Em primeira pessoa, temos dois pontos de vistas. O de Clay e o de Hannah. Ele é quem narra toda a história, mas é Hannah que assume o controle ao contar detalhes do passado, conforme ela vai explicando o que a levou ao suicídio.

A forma como Jay faz isso, leve, simples e com uma sinceridade impressionante é de tirar o fôlego. 

Entenda, os dois são jovens. Os personagens de 15 a 16 anos. Mas o livro não é leve, na verdade é difícil de engolir. Não por um erro da autora, mas porque o suicídio não é um tema que se fale por aí. Aliás, nunca falamos de suicídio. E abordar isso num livro, uma história inteira sobre o suicídio e o que uma garota de 15 anos teve que passar para abraçá-lo, é brilhante e ao mesmo tempo terrível.

Mais uma vez parabenizo a autora pela sua capacidade. Além da escrita dela ser leve, ela trata esse tema tão espinhoso como se falasse de algo banal, algo comum. E de certa forma é, depressão é algo que nenhum de nós está imune. Qualquer um pode ter, e qualquer gesto de carinho pode evitar que tenha um fim tão trágico.

Mas é claro que esse não é o caso. Hannag está morta e, conforme ela vai contando a sua história, conforme ela vai explicando cada motivo que a levou até ali, acabamos nos pondo em seu lugar. Inúmeras vezes eu me senti como ela, pensei como ela, até pensei ser ela. Tanto que estou há alguns dias sem ler livro algum, porque não é simples sair da pele dela. Não é simples empatizar com pensamentos suicidas e sair ileso. 

E é por isso que estou aqui fazendo essa resenha, tentando com que você se interesse por essa obra. 

Gente, não preciso dizer o quanto suicídio é sério. Numa pesquisa rápida pelos sites eu encontrei os seguintes dados:

O suicídio é o responsável por uma morte a cada 40 segundos no mundo.
Segundo dados de 2012 pela ONU, 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo.
É a segunda principal causa de morte entre 15 e 29 anos. 
Só 28 países relatam ter possuir uma estratégia nacional para isso.

Vocês entendem agora a gravidade disso? Então sim, livros como esse precisam ser escritos e, mais que isso, precisam ser lidos. 

Com pouco mais de 200 páginas, a leitura é rápida. Em poucas horas eu já havia acabado tudo. Os capítulos são bem organizados, cada um se refere a um lado da fita. As falas da Hannah estão em itálico, facilitando assim a troca de personagens. E, como eu disse antes, a escrita da autora é bem fluída e te prende do início ao fim.

Não tem porque não ler isso.

Ah, algo sobre a Hannah. Ela é uma personagem tão comum, tanto nos livros como fora da ficção que é fácil se identificar. Hannah é uma garota sonhadora e um tanto romântica, de fato tem ainda alguns traços bem infantis e inocentes. E quando ela começa a sofrer, quando percebemos para onde ela está caminhando, dá uma aflição tão grande. Porque Hannah é apaixonante, ela é sincera, ela tem medos e tem esperança. Então a conexão é instântanea.

Outro com quem sentimos uma conexão é o Clay. Porque a Hannah era o seu primeiro amor e vamos combinar, não deve ser nada fácil ouvir a voz do seu amor adolescente, que por acaso se suicidou. Ainda mais quando você é um dos 13 motivos para isso. E conforme Hannah conta a história, percebemos o quanto isso meche com o Clay. O quanto ele sofre junto e deseja voltar no tempo para impedir.

É um livro bem pesado e não é fácil de digerir. Mas é uma experiência super válida, então eu repito: leiam. Só o começo, só tentem. Se não foi, tudo bem.

Acho que não há mais nada que eu possa falar sem dar uma dúzias de spoilers. Espero que tenham curtido a resenha e não se esqueça de dar sua opinião nos comentários. Principalmente se você já leu, preciso de pessoas para comentar isso.

Um grande beijo e até mais.

Quotes selecionados:

“Era exatamente isso que eu queria para mim. Queria que as pessoas confiassem em mim, apesar de qualquer coisa que tivessem ouvido. E, mais do que isso, queria que me conhecessem. Não aquilo que pensavam saber a meu respeito. Mas eu de verdade.”

“É importante estarmos consciente do modo como tratamos os outros. Mesmo que alguém pareça ignorar um comentário casual ou não se deixar afetar por um boato, é impossível saber tudo o que se passa na vida daquela pessoa e o quanto podemos ampliar sua dor.”

“Eu precisava tirar uma folga… de mim mesma.”

“Ninguém sabe ao certo o impacto que tem na vida dos outros.”

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